quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014


Filosofia e auto-ajuda

Sêneca e Bernardinho


É comum, no meio acadêmico, a convicção de que a filosofia não se confunde com  auto-ajuda. Mas não é tão simples como poderia parecer dar uma explicação para essa certeza tão arraigada. Tudo se passa como se a evidência da coisa nos eximisse de justificá-la, como se a certeza luminosa de que a filosofia não é auto-ajuda jogasse uma sombra sobre as razões nas quais essa convicção se apóia.

Tenho em mãos um livro de Sêneca editado pela L&PM. Trata-se de uma coletânea das cartas que o filósofo romano escreveu para Lucílio. A edição é cuidadosa. A tradução, até onde posso avaliar, é criteriosa, foi feita diretamente do latim por Lúcia Sá Rebello e Ellen Itanajara Neves Vranas. Ano de publicação: 2008; reedição em 2013.

O que chama a atenção é o título: Aprendendo a viver.  O original é: Epistulae morales ad Lucilium. A 4a capa tem por chamada "Como viver a boa vida". Ao fim do texto que apresenta Sêneca ao leitor, lê-se o seguinte:
"Para combater os males do mundo, o filósofo propõe um heroísmo passivo, segundo o qual cada ser humano deve tomar as rédeas da própria vida se quer, enfim, ser verdadeiramente livre". 
Já a apresentação introdutória assinada por Lúcia Sá Rebello, após informar o leitor sobre a obra e a vida de Sêneca, termina assim:
"Sem dúvida, muitas observações e conclusões que fazem parte dessas cartas poderiam ser aplicadas às inquietudes do mundo atual. Sêneca escreveu as mais belas máximas de pureza da vida; nele se uniram todas as perfeições do pensamento humano, a elevação do espírito e o entusiasmo pela virtude" (Sêneca, Aprendendo a viver. Porto Alegre: 2013, p. 12). 
Finalmente, nos dados catalográficos temos as seguintes entradas:
"1. Sêneca, ca. 4 a.C-ca. 65 d.C. 2. Estoicos. 3. Conduta [...] . 4. Ética [...]. 5. Filosofia antiga [...]. 6. Cartas espanholas [...]"
(Sublinhe-se "Conduta".)

Não resta dúvida, Sêneca está sendo comercializado como "auto-ajuda". E ele está longe de ser caso isolado. Allan Percy, em um lance audacioso e afortunado para si mesmo, cometeu Nietzsche para estressados (GMT, 2011).  O livro explora o mesmo filão em que navega Mais Platão, menos Prozac, de Lou Marinoff (Record, 2001), outro sucesso mundial do gênero. A estratégia de venda, nos dois casos, é reunir filosofia e aplicação prática, como diz este release publicado no blog da Veja:
"NIETZSCHE PARA ESTRESSADOS é um manual inteligente, provocador e estimulante que reúne 99 máximas do gênio alemão e sua aplicação prática a várias situações do dia a dia. A filosofia de Nietzsche é de grande utilidade na busca de uma solução para uma série de problemas, tanto na vida pessoal quanto na profissional" (grifo nosso). 
Dir-se-ia que o mercado editorial farejou na filosofia um novo segmento, ou antes, viu na filosofia uma forma de ampliar e sofisticar um tradicional e rico veio, o do nicho representado pela auto-ajuda. Como não poderia deixar de ser, essa fusão produz curto-circuitos, como, por exemplo, encontrar na estante das livrarias Sêneca lado a lado com Bernardinho. O problema, porém, permanece de pé. Pois, em princípio, quem melhor que um filósofo para nos auxiliar a viver bem? Não era essa, afinal, a intenção principal de Sêneca ao aconselhar Lucílio? Provavelmente ele não veria mal algum em ser consumido assim, muito pelo contrário. E menos por vaidade do que por convicção de que a filosofia, de fato, pode auxiliar a viver melhor. Se não for para isso, ele diria, para que ela serve?

Nessa direção, recorde-se também que muitas pessoas que se matriculam num curso de filosofia o fazem movidos pela curiosidade em saber qual o sentido da vida, um leitmotiv caro à auto-ajuda. E o fato de que não encontrem nenhuma resposta definitiva não torna sua motivação menos legítima. Pergunte a um professor de filosofia se ela tem ou não algo a dizer sobre temas como "justiça", "verdade", "virtude", etc. Se ele não for um desses que já desconstruiu tudo, provavelmente dirá que sim. Ora, é nesta brecha que, desde a antiguidade, se consolidou a tradição do aconselhamento moral, que une Epicuro, Cícero, Sêneca e Marco Aurélio, dentre outros. Todos eles viam na filosofia uma forma especial de sabedoria, capaz de nos conduzir a uma vida virtuosa e/ou feliz. Convencido disso, o filósofo francês Luc Ferry publicou em 2006, na França, um livro intitulado Apprendre à vivre: Traité de philosophie à l' usage des jeunes générations (Na tradução brasileira: Aprender a viver. Filosofia para os novos tempos. Tradução: Vera L. dos Reis. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010). 

Será que a filosofia está redescobrindo sua verdadeira vocação prática e pode realmente nos ajudar a responder como conseguir realizar uma vida melhor?

O contra-exemplo de Sócrates 


A aplicação da filosofia à prática porém, esbarra num consenso oposto, que reza que a filosofia não veio para simplificar, mas complicar as coisas. Os livros didáticos que se prezam começam por advertir que filosofia é igual à reflexão. É difícil saber o que exatamente ocorre com quem reflete demais, mas uma coisa é certa: ele não é a pessoa indicada para consultarmos, se estivermos querendo "uma solução para uma série de problemas". Mesmo que não estejamos com pressa, nada assegura que, ao fim e ao cabo, cheguemos a uma resposta. E o que seria da auto-ajuda sem respostas? 

Exatamente a falta de respostas e o excesso de perguntas caracteriza a atuação de Sócrates em um conjunto expressivo dos Diálogos de Platão. São os chamados diálogos "aporéticos", nos quais encontramos Sócrates indagando a seus interlocutores como, afinal, sabem o que sabem. Ao que tudo indica, nisto Platão fez um retrato bastante fiel do Sócrates histórico, pois, conforme outros depoimentos, ele de fato era alguém disposto a problematizar tudo o que via pela frente. É assim que no diálogo Laches, por exemplo, Lisímaco propõe a Nícias que ele submeta ao exame de Sócrates suas ideias sobre a educação da juventude. E Nícias, mais velho que Lisímaco, diz o seguinte: 
"É que me pareces desconhecer que quem for muito chegado a Sócrates [por convívio ou parentesco] e vier a falar com ele habitualmente, ainda que, de início, comece a discutir sobre algo diferente, inevitavelmente acabará por ser arrastado para uma conversa em círculo, até cair em dar resposta a perguntas sobre si próprio - como passa atualmente e como viveu a sua vida passada. Depois de aí ter caído, Sócrates não mais o largará antes de tudo ter posto à prova" (Platão, Laques, 187e - 188a, trad. Francisco de Oliveira. Lisboa: Edições 70, 2007, pp. 53-54).  
Numa passagem de A República, essa ideia de ser conduzido de cá para lá reaparece nas palavras do próprio Sócrates: 
"Não sei ainda, mas por onde o argumento [lógos] nos conduzir, como o vento, para lá deveremos ir" (Platão, A República, 394d).
Veja o comentário feito por Roberto Bolzani Filho, professor da Universidade de São Paulo, que foi quem traduziu esse trecho, como foi citado acima:
"Não se engane: o fato de que o argumento nos conduz 'como o vento' não significa que vamos para qualquer lugar, porque o vento sopraria de maneira sempre imprevista, resultando daí que a investigação não teria rumo certo. Trata-se de uma metáfora que indica que nós, os investigadores, somos conduzidos por caminhos que não escolhemos, definidos pela necessidade interna à argumentação" (V. Figueiredo, L. Repa. J. V. Cuter, R. Bolzani, M. Valentim, P. Vieira Neto, Filosofia: Temas e Percursos. São Paulo: Berlendis & Vertecchia Editores, 2013, pp. 121-122). 
Sendo assim, aquilo que Nícias apontava em Laques - ser conduzido de lá para cá na conversa - é, conforme o passo de A República, uma exigência do próprio pensamento, argumento ou discurso (três maneiras lícitas de verter o termo grego lógos). Ora, nem sempre o lógos chega a uma solução. Muitos diá-logos comprovam isso. Pode acontecer, numa conversa, de sermos levados de cá e para lá, de afastar-nos de nossas crenças prévias, de subvertermos as evidências ordinárias, e só. Só? Deixar-se levar assim pelo pensamento, mesmo sem, com isso, chegarmos a um porto seguro - isso já não corresponde a uma experiência moral? Pois tanto a palavra "moral" (morus, em latim), quanto "ética" (ethos, em grego), significam "costumes" em suas línguas de origem. Se a experiência de abandonar-se ao lógos nos conduz a reconsiderar as convicções arraigadas nos costumes, neste caso filosofar é realizar uma reflexão sobre a vida prática e sobre noções que dizem respeito à vida ordinária de todos nós. E isso, mesmo que não se tenha chegado a respostas definitivas. Vai nessa linha a posição de outro autor contemporâneo de grande prestígio junto ao público não especializado, o filósofo britânico Simon Blackburn. A filosofia, ele nos diz, é essencialmente um método de reflexão e indagação sobre noções e conceitos que operam na vida cotidiana, na política, nas ciências e nas artes. Consiste mais em perguntas do que em respostas. 


Conclusão 


O que  concluir desse rápido percurso? 

Partimos do prejuízo bem difundido na academia conforme o qual a filosofia nada tem que ver com auto-ajuda. Mas logo vimos que Sêneca, a quem ninguém recusaria o título de filósofo, tem sido editado sob a roupagem da auto-ajuda. E isso, como vimos, não é somente uma manobra de mercado; se Sêneca reaparecesse entre nós, não há dúvida de que se esmeraria para difundir ao máximo os preceitos que, a seu ver, tornariam nossa vida melhor. Mais: vimos que essa noção de filosofia como sabedoria das grandes questões da existência foi e tem sido a razão para que muitos tenham procurado e ainda procurem aproximar-se da filosofia. 

De outra parte, também vimos que uma das figuras mais emblemáticas do filósofo, Sócrates, é apresentado por Platão como alguém que mais faz perguntas do que fornece respostas. É verdade que nos Diálogos tardios, como A República, o leitor se depara, ao fim e ao cabo, com uma solução para a questão que motivara o debate. (No caso de A República: "o que é a justiça?") Mas isso só ocorre depois de muitas idas e vindas, depois de muitas e muitas... páginas. O alcance filosófico da solução,  conclui-se daí, depende do percurso que conduziu a ela. Não por acaso, bons intérpretes de Platão apontaram que há muito mais filosofia no percurso que conduz à solução, do que na solução por si mesma.  

Se, tendo Platão em mente, aceitarmos que a filosofia é o lógos em ação, em seu movimento de idas e vindas, de perspectivação e relativização dos argumentos e contra-argumentos, podemos então arriscar uma primeira resposta a nossa pergunta acerca das relações entre filosofia e auto-ajuda. E a resposta é: a questão foi inicialmente mal colocada! 

Pois se filosofia é aquilo que faz pensar, que conduz o leitor por uma trilha sem desfecho certo sob a exigência do rigor e da curiosidade, então encontrar ou não as respostas que procurávamos se torna secundário. É fato que muita literatura de auto-ajuda não admite o que Hegel chamava "a paciência do Conceito". É isso o que explica por que é comum recusarmos ao varejo da auto-ajuda o título de "filosofia". Entretanto, e como dá exemplo Sêneca, a história da filosofia tem capítulos importantes nos quais encontramos respostas para questões tais como, por exemplo, o que fazer para tornar a vida melhor. Pode-se reler esses textos em busca de respostas, mas para que sejam convincentes, é preciso refazer  o caminho que conduziu Sêneca a elas. E pode-se também reaver esse caminho como quem desfruta da paisagem que atravessa, sem aderir à "verdade" das conclusões. No primeiro caso, defender as respostas passa por defender que o caminho que levou a elas é o meio correto para viver melhor. Filosofia como salvação. 

Eis que,  movendo-se de cá para lá, atingimos como conclusão esta outra pergunta: será razoável interpretar a filosofia como um saber que, assim como a religião, mas por outros meios, pode salvar-nos de uma vida infeliz? Sêneca pensava que sim, e não estava sozinho. Mas no intervalo dos séculos que nos separam dele  não surgiram boas razões para crer que a filosofia, por mais indispensável que seja na formação educacional dos jovens, não é capaz de satisfazer a expectativas salvíficas? 

Algumas referências em torno do assunto, além das já fornecidas acima: 


Para Luc Ferry, consulte sua conferência no Café Filosófico da CPFL no link:


Veja também a entrevista de Simon Blackburn no Café Filosófico da CPFL, na qual ele conta, entre outras coisas, por que foi fazer filosofia: 


Consulte, em V. Figueiredo, L. Repa. J. V. Cuter, R. Bolzani, M. Valentim, P. Vieira Neto, Filosofia: Temas e Percursos. São Paulo: Berlendis & Vertecchia Editores, 2013, os seguintes trechos: 

(i): a "Nota ao leitor"(pp. 8 e 9), que expõe a concepção dos autores sobre a filosofia, recorrendo ao exemplo de Platão.
(ii) "Filosofia, o pensamento e o livro: 15 perguntas e respostas" (pp. 10-13), que desenvolve aspectos mencionados na "Nota ao leitor".
(ii): a Unidade "Liberdade e necessidade" (pp. 224-251), especialmente o módulo: "Estoicismo e a necessidade do universo" (pp. 227-234) em que são apresentadas as teses do estoicismo antigo. 

Vale a pena também ler a "Introdução" de Convite à filosofia (São Paulo: Ática, 2012, pp. 10-29), de Marilena Chauí. Nela, a autora investiga a questão: "para que filosofia?" Na página 24, por exemplo, ela define a atividade filosófica como sendo, essencialmente, a prática da indagação. 

Eis alguns dos autores da antiguidade concernidos por esse debate e que foram reunidos em um único volume de Os Pensadores

Epicuro, "Antologia de textos", in: Col. Os Pensadores. (Trad. Agostinho da Silva)  São Paulo: Abril Cultural, 1980, pp. 1-20. 

Lucrécio,  "Da natureza",  inCol. Os Pensadores. (Trad. Agostinho da Silva)  São Paulo: Abril Cultural, 1980, pp. 21-135.

Cícero,  "Da república",  inCol. Os Pensadores. (Trad. Amador Cisneiros) São Paulo: Abril Cultural, 1980, pp. 137-180)

Sêneca, "Consolação a minha mãe Hévia",  inCol. Os Pensadores. (Trad. Giulio D. Leoni). São Paulo: Abril Cultural, 1980, pp. 181-194). 

Marco Aurélio, "Meditações",  inCol. Os Pensadores. (Trad. Jaime Bruna). São Paulo: Abril Cultural, 1980, pp. 261-319.







7 comentários:

  1. Vinicius
    Há de fato um parentesco entre uma questão ético política e a ideia de que o pensamento pode determinar uma ação (e aqui talvez o argumento do Bolzani fique mais fraco: no limite, não importa que a ação efetivamente realize o pensamento ou que o pensamento que a determinou tenha sido gerado a partir da mais completa autonomia do agente).
    É apenas a relação entre o pensamento e a ação o que importa. Ambos podem comportar um sem número de nuances entre a autonomia completa e a heteronomia total. Assim, onde fomos parar importa menos do que a maneira que chegamos até lá. Em um ponto, no entanto, o Roberto tem razão. a auto-ajuda parece pressupor uma passagem de um pior a um melhor, sem se perguntar se o que parece melhor, ou pior, é algo que possamos definitivamente apreciar nesse termos exatamente, pelo menos uma vez que comecemos a pensar.
    A auto-ajuda é um caso particular de uma grade bem mais ampla de relações possíveis entre pensamento e ação. Para que ela exista é preciso que o agente esteja sozinho, que ele possa agir segundo uma determinação perfeitamente autônoma, que o meio no qual ele age seja perfeitamente passivo e não reaja sobre o que foi projetado pelo agente. Enfim, uma possibilidade em um milhão, e ainda assim, dificilmente poderíamos acreditar que a solução que alguém encontra nessas ocasiões possa ser universalizada em uma máxima definitiva.
    Mas, o que é mais grave, as ciências humanas, desde o Século XIX, têm apontado sérios obstáculos à possibilidade de pôr o problemas nesses termos -- as noções de cultura, de ideologia e de inconsciente, por exemplo, deslocam completamente de seu eixo de simetria o par agente pensante/ação realizada.
    Talvez, melhor que a hipótese de que a relação entre pensamento e ação deva se resolver sempre em um agente solitário em sua autonomia e um mundo passivo, pudesse ser substituída pela constatação da ventania que varre igualmente os agentes e os mundos ainda permita a afirmação de de certas formas de vida, que isso é um trabalho constante e exige atenção constante, que as máximas dessa afirmação são variáveis, mas não arbitrárias, etc. Mas nesse caso, receio, já vamos ter renunciado ao "auto" e à "ajuda" da auto-ajuda ...

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    1. caro Paulo

      obrigado pelo comentário, com o qual concordo em linhas gerais. Não compreendi bem o primeiro parágrafo, porém.

      De resto, um dos objetivos temáticos da disciplina (que possui um fim prioritariamente metodológico: familiarizar os neófitos com técnicas de análise, interpretação e produção de textos filosóficos) converge inteiramente com a sua observação principal: será que a perspectiva sob a qual a auto-ajuda considera as relações entre pensamento e ação não caducou? Dito de outro modo, não há boas razões para questionar a validade das premissas mobilizadas pelo discurso do aconselhamento moral? Interessante notar que esse questionamento teve hora e lugar marcados na própria história da filosofia. Dois exemplos: como se crer capaz de aconselhar seja quem for, se, como afirma Pascal, somos todos igualmente movidos pelo amor-próprio? Ou: como fazê-lo, se a "autonomia" pressuposta por quem aconselha esbarra frontalmente com a noção de que a psicologia humana é atravessada, na história individual de cada um de nós, pelas neuroses, repressões e acertos entre id, ego e supereu?
      É notável o contraste disso com o que diz Marco Aurélio: "Aliás. devemos eliminar não só os atos mas também os pensamentos desnecessários, pois assim tampouco os seguirão os atos que acarretam" ("Meditações", IV, parágrafo 24. Tradução: Jaime Bruna. In: Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p. 275).

      Como ser tão autônomo, após o advento do inconsciente freudiano?

      De outra parte, a suspeita de que a auto-ajuda e, de modo geral, a modalidade do aconselhamento moral esbarra com limites consideráveis não resolve por si mesma as questões que assim se colocam. Por exemplo, como, com base neste acordo sobre as dificuldades do gênero tão bem praticado pelos moralistas latinos, compreender a ideia de "engajamento", bem mais recente? Não é notável que Sartre, que balizou esse conceito, se recusasse terminantemente a reconhecer a contribuição freudiana?

      Por fim, e como esclarecimento, a ideia de que a auto-ajuda supõe a passagem de um "pior" a um "melhor" não é do Roberto Bolzani, mas foi o resultado da discussão em sala de aula aqui mesmo, na UFPR.

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  2. Caro professor, espero que seja pertinente minha pergunta mas, se não for, sorry.

    Do que mesmo estamos falando quando falamos de SENTIDO?

    SENTIDO: o que vem a ser?

    Sentido é um ponto a que se chega?

    ou sentido é um caminho pelo qual se vai?

    grato pela atenção.

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    1. caro Onesimo

      primeiro, em princípio toda questão é pertinente. Já as respostas...

      A sua pergunta, se você me permite a paráfrase, é: em que sentido se está utilizando o termo "sentido"? Por aí já se vê que a pergunta não tem resposta fácil, pois a questão poderia ser recolocada ad infinitum...

      Para evitar o círculo, vamos ao contexto: "sentido", no texto, aparece ali onde se recorda que muitos ingressam no curso de filosofia motivados pela questão sobre o sentido da vida. Com isso quis dizer apenas: motivados pela questão sobre o significado de nossa existência, simples assim. Outra questão, bem mais complicada, é a de determinar qual seja esse significado ou sentido.

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  3. Me parece que a filosofia aplicada à auto-ajuda não ira revelar os passos a serem percorridos, mas irá, pela reflexão, propiciar que o indivíduo perceba por si próprio o caminho que leva ao bem-estar/felicidade/viver melhor.

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  4. Se vejo bem, sua impressão corresponde ao que assinalei, apoiando-me no comentário de Roberto Bolzani Filho, como sendo a posição do Sócrates platônico.

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